Crônicas do Volume – Volume III: O Retorno dos que Não Foram

em

Olá, pessoal! É uma alegria enorme voltar a escrever para a galera querida do Brasil Fantasy Football!

Primeiramente, agradeço aos meus irmãos de caminhada – Caio Ribeiro e Rui Santos – que me deram a oportunidade de escrever neste site em 2018, mais ou menos sobre este assunto aqui. Hoje, tenho mais uma chance de compartilhar um pouco com a galera que curte o BrFF!

Por duas vezes no ano passado, escrevi um artigo chamado Crônicas do Volume –que tentava comprovar o quão importante é, no Fantasy Football, que um jogadorpossua Volume nas suas ações para marcar pontos. Particularmente, foram ostextos mais divertidos de fazer em toda a minha trajetória!

Quem leu estas crônicas (Link para uma delas) já sabe a citação que irei fazer. Entretanto, temos que admitir que o leitor é novo aqui ou nem sabia da existência daquelas.

Dessa forma, proponho uma breve referência a Matthew Berry, legendário analista de Fantasy Football – e hoje um dos meus mantras, como diria o Presidente Caio:

“Em um nível fundamental, o FantasyFootball é inteiramente sobre minimizar risco e dar a você mesmo as melhoreschances de vencer em uma base semanal.” 

(Em The Draft Day Manifesto: Why a weekly focus is key to fantasy football success – Link aqui).

Mas como podemos ter as melhores chances devencer em uma base semanal? Bom, um pouco de sorte ajuda bastante – muito, eudiria. Entretanto, nem sempre podemos contar com ela.

A outra forma – bem mais segura, e jácomprovada – é buscar jogadores que possuam volume de jogo.

Como já dissemos ano passado: quanto maior a oportunidade de fazer coisas alguém tiver, mais chances de fazê-las essa pessoa terá. Parece ser redundante, mas é importante afirmar.

Nossa missão aqui é comprovar para você,nosso querido leitor, que o volume de jogo é fundamental para o sucesso noFantasy Football. Buscar volume é uma fórmula segura de, pelo menos, se ter umaótima base para fazer bons times e conquistar títulos.

Cabe ressaltar que sempre existirão jogadores que fogem da curva quanto ao volume e, ainda assim, fazem ótimas temporadas – vêm à mente Alvin Kamara e Tyreek Hill, por exemplo, no ano passado. Mas nosso trabalho aqui é fazer uma correlação de maneira geral e abrangente – que, quase sempre, se comprova de maneira objetiva.

E como faremos isso? Como sempre, usaremosdos gloriosos e belíssimos Gráficos de Dispersão (ou XY) para demonstrarvisualmente a nossa tese.

Antes de mais nada, importante ressaltarque usaremos o Coeficiente de Correlaçãode Pearson, também conhecido carinhosamente como ⍴. Para economizar letras, faremosreferência a ele apenas como ⍴.

Basicamente, ⍴ mede o grau de correlação entre duasvariáveis de escala métrica. O valor de ⍴estará sempre entre 1 e -1.

Para facilitar a compreensão, pense em umrelógio de ponteiros. A primeira potência (ou estatística, como vamos usaraqui) estará sempre representada por um ponteiro na marca de 12 horas. Asegunda estará entre as 12 e 6 horas.

Quanto mais próximo de 1 for o valor de ⍴, mais forte a correlação entre as duaslinhas de dados. Quanto mais próximo de 0, mais fraca é a correlação entre asduas ou é simplesmente inexistente. Quanto mais próximo de -1, mais inversa é acorrelação, mas não nos preocuparemos aqui com essa hipótese.

Compreendido? Ótimo!

Disclaimer 1: não tenho qualquer tipo de formação em Estatística, Economia ou afins. Portanto, caso eu tenha dito alguma bobagem, não hesite em corrigir!

Disclaimer 2: utilizaremos, por defeito, o sistema de pontuação Half PPR. Para quem não o conhece, meio ponto é cedido ao jogador que fizer uma recepção.

Temporada2018

Para melhor compreensão, correlacioneidados de volume (Targets, Touches e Carregadas) com a pontuação específica que deriva deles. Porexemplo, não seria correto relacionar as oportunidades de corrida com toda apontuação de um Running Back (que envolve também, via de regra, recepções).

Assim, iniciaremos com os recebedores depasse – e aqui se incluem Wide Receivers, Tight Ends e também Running Backs.

Desde aqui você irá perceber como é fácilvisualizar a correlação entre os dados que trazemos e o desempenho em pontos deFantasy Football.

A primeira comparação é entre Targets (passes na direção de um jogador) e Pontos de Recepção: [(Recepção*0,5)+(Jarda*0,1)+(Touchdown*6)].

Incluindo todos os jogadores que receberam, pelo menos, um Target na Temporada 2018, ⍴ se apresentou em 0,968. Se lembra da analogia com o relógio de ponteiro? Então você pode perceber que se trata de uma relação fortíssima, quase que diretamente proporcional.

Você percebe que a maioria esmagadora dospontinhos (jogadores da NFL) está grudada ou muito próxima da Linha de Previsãodo gráfico? Pois é, aqui se consegue demonstrar o quão forte é a relação entrevolume de jogo e produção no Fantasy.

Seguimos, então para os Running Backs.

Como os Running Backs possuem mais ações durante uma partida, fizemos dois gráficos – um referente apenas às Corridas (e aqui não incluímos Quarterbacks) e outro referente aos Touches (Touch = Corrida + Recepção).

O primeiro gráfico correlaciona as Tentativas de Corrida com os Pontos de Corrida [(Jarda*0,1)+(Touchdown*6)]. E, novamente, ⍴ aparece com um valor altíssimo – 0,965 – quase idêntico ao da primeira correlação.

Já o segundo correlaciona os Touches com Pontos de Scrimmage – que, para não perder muito tempo com fórmulas, são a soma dos Pontos de Recepção com os Pontos de Corridas. Novamente, a correlação é fortíssima – ⍴ apresenta aqui um valor de 0,955.

Você consegue perceber a beleza ocultadesses gráficos? Pode ser que eu seja um aficionado por correlações, mas é interessanteverificar, visualmente, como dois valores se relacionam e possuem importância.

Bom, aqui terminamos as Crônicas do Volume! Obrigado por ler…

Ah, não sabia que você era uma pessoa tãoexigente… Minhas mais sinceras desculpas!

Já que você quer uma amostragem um poucomaior, me dei ao trabalho de busca-la. Mas só porque eu amo escrever sobreFantasy Football e amo mais ainda a galera do Brasil Fantasy Football – e vocêtambém, claro!

Temporadas1992 a 2018

Aqui a conversa vai ficar um pouco maisséria. Analisei 27 temporadas, e, para que os gráficos não ficassemexcessivamente poluídos, utilizei apenasos 1000 maiores pontuadores entre recebedores e Running Backs em cada caso pararealizar as correlações.

Prontos?

Isto aqui, meus amigos, é arte!

Talvez eu queira imprimir cada um destesgráficos e colocar em um quadro no meu criado-mudo… Perdão, já estoudivagando!

Neste caso, a amostragem temporal é muito maior – 27 temporadas. Logicamente, esse período envolve algumas variações no modelo de jogo das equipes, regras, os próprios perfis de jogadores, etc.

Entretanto, as correlações continuamfortes, senão muito fortes.

Targets já são importantes demais desde 1992. Percebeu ⍴ nesse período? Houve uma pequena redução – 0,932 – mas, ainda assim, se trata de um coeficiente absurdamente alto.

Quanto aos Running Backs, talvez vocêquestione a diminuição drástica noque diz respeito aos Touches. Bom, écomo eu falei antes – de 1992 até 2018 muita coisa mudou na utilização e noperfil dos jogadores. Portanto, é natural que isso se reflita um pouco nacorrelação.

Ainda assim, respectivamente, ⍴ surgiu com valores bem consideráveis e altos – 0,889 em relação às Corridas e 0,812 em relação aos Touches. É um decréscimo, sim. Mas, insisto, se tratam de correlações bem elevadas.

A que conclusão chegamos, então?

A história nos diz, ao menossimbolicamente, que o Volume de Jogo significa, quase sempre, uma boa produçãono Fantasy Football.

Sempre irão existir os chamados outliers, ou seja, jogadores que fogem muito da curva:

  • LaDainianTomlinson (2006);
  • MarshallFaulk (1999, 2000 e 2001);
  • RandyMoss (2003 e 2007);
  • CalvinJohnson (2011);
  • JerryRice (1995).

Só que – e vou colocar em garrafais agora – TODOS SÃO HALL OF FAMERS. Se não o são ainda, serão.

Portanto, como eu já disse aqui em outrasvezes, no seu Draft ou no Waiver Wire,procura sempre Volume de Jogo.

Atualmente, existe uma série deferramentas, artigos e podcasts que podem lhe ajudar a vislumbrar tendências,dados e comportamentos que indiquem o uso de um jogador ou de um ataque notodo.

Como já falei antes, a sorte ajudabastante, mas eu, particularmente, prefiro não contar com ela…

Espero que vocês tenham gostado desse singelo artigo. Boa sorte a todos na Temporada 2019 e mantenham-se ligados aqui no Brasil Fantasy Football para acessar um conteúdo de alta qualidade e que, certamente, vai ajudar muita gente a conquistar títulos!

Gabriel Cabistani é host do Phil Bill Podcast, já escreveu para o Brasil Fantasy Football e Across The Fantasy Pond sobre Fantasy Football. Para segui-lo nas redes sociais, @gtcabistani. Clique aqui para seguir o Phil Bill Podcast no Spotify.

Dúvidas: gabriel.cabistani@gmail.com

Todos os dados foram obtidos no site http://www.pro-football-reference.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.