Absorvendo Conhecimento: Entrevista com J.J. Zachariason

Salve, pessoal, como estão? Espero que bem e em casa!

Finalmente trazemos para vocês a tradução livre da entrevista que realizamos com o analista de Fantasy J.J. Zachariason, editor-chefe do FanDuel e do numberfire.com.

Este espisódio, mais que especial, nos trouxe muito conhecimento sobre o nosso amado mundo do Fantasy Football e, como nossa missão primordial é trazer este mundo para a nossa língua e para vocês, aqui estamos com a transcrição do episódio 31 do nosso podcast. Boa leitura!


Gabriel Cabistani (GC) – JJ, como vai você, meu irmão?

JJ Zachariason (JJ) – bem, estou indo bem. Eu gostaria de falar a mesma língua de vocês, pra que eu pudesse responder e dizer algo que muitas pessoas pudessem entender e se relacionar, mas estou muito, muito animado de estar falando com vocês, e eu agradeço por vocês me receberem aqui.

GC – O prazer é nosso. Vamos começar com: como você se envolveu com o fantasy football (FF)? Quando você começou a jogar FF? Foi quando criança, adolescente? Como você se envolveu com o trabalho? Como você começou a escrever sobre FF e desenvolver suas ideias?

JJ – Então… tenho jogado por um bom tempo, eu estou quase nos quarenta anos, eu tenho jogado por uns 15 anos, desde basicamente o ensino médio, então estou por aí há um tempo jogando o jogo. Mas a paixão por escrever e analisar realmente começou quando eu me formei na faculdade e tinha um trabalho numa agência de propaganda… e eu odiava o trabalho, não gostava. Era OK, mas não aproveitei muito, então decidi perseguir minha paixão. Abri um documento do Word, eu estava no trabalho, e escrevi uns pensamentos sobre FF. 

Naquele tempo, em 2011, muitos analistas estavam divulgando uma abordagem sobre buscar QBs cedo. Isso foi quando a temporada 2011 aconteceu, em que quase houve um ‘lockout’ na NFL, e vimos um número absurdo de QBs produzindo muito bem em toda a liga. Eu vi que as bases do FF tinham mudado: você ainda escalava 1 QB, mas a oferta e demanda não tinha mudado apesar destes números.

Assim decidi reunir o que se tornaria o e-book “Late Round Quarterback” e comecei a vender em junho de 2012, ou seja, exatamente 8 anos atrás, e lentamente no ano seguinte fui feliz em ter a oportunidade de fazer uma série sobre QBs para o site Rotoworld, fiz alguns trabalhos para o Pro Football Focus e eventualmente consegui um trabalho no Numberfire, mas a jornada até chegar lá foi gastar tempo nesse livro e vender essa ideia (que eu acreditava, claro) que na época era quase contrária, doida, porque quem joga atualmente espera muito para pegar seu QB, mas, na época, quando publiquei o livro, em 2012, as primeiras duas rodadas viam sair, em média, cinco QBs; a primeira rodada viu três deles.

Então as coisas mudaram muito desde que escrevi o livro e foi assim que as coisas aconteceram pra mim.

GC – O Late Round Quarterback foi certamente uma revolução na forma como as pessoas fazem draft e stream na posição (de QB), e falando especificamente disso, que palavras ou conceitos lhe levaram a escrever o livro? O que lhe levou a tentar explicar suas teses ou ideias no livro?

JJ – Então, como falei, eu obviamente estava observando como o cenário do FF estava começando a ver a posição de QB e uma das coisas que percebi, antes de escrever esse livro e que eu vi desde que comecei a jogar fantasy, é que, ano após ano, as coisas não mudam tanto quanto as pessoas pensam.

Em 2015 vimos RBs tendo temporadas ruins, os tops não atuaram tão bem, aí ano seguinte o mercado reagiu forte e todo mundo foi pro “Zero-RB” em seus drafts, mas esses times foram muito mal por terem sido muito reativos ao que aconteceu na temporada anterior. A verdade é que, no fantasy, as coisas vão e voltam, mas regridem; a constante são as ideias de oferta e demanda, substitutibilidade e previsibilidade.

Oferta e demanda é você ter que escalar 1QB na sua liga toda semana, por isso a demanda não é muito grande. Se você está numa liga de 12 times, cada time escala somente 1QB (logo 12QBs) quando você tem cerca de 25 utilizáveis de algum modo.

Do ponto de vista de previsibilidade, QBs são bem previsíveis semanalmente; você consegue imaginar isso intuitivamente, onde um QB recua pra passar a bola umas 30 vezes, enquanto um RB talvez toque na bola 15 a 20 vezes, um WR precisa de alvos para produzir pontos, então há uma variância muito maior em outras posições vs QB que os fazem mais previsíveis.

Estes conceitos se reúnem pra determinar uma estratégia de QB nas últimas rodadas não só como não sendo uma reação ao que acontece na temporada, mas algo que você deve fazer toda temporada.

GC – Falando um pouco sobre sua abordagem de análise do FF, nós sabemos que você traz um monte de estatísticas e análises, além de cálculos sobre muitos aspectos do FF. Mas, pra quem está começando, que estatísticas são interessantes ou fundamentais em sua opinião?

JJ – Eu começaria com duas abordagens em ângulos diferentes. A primeira é entender estatísticas de eficiência, qualquer coisa que seja uma fração como jardas/alvo, jardas/carregada… estes números regridem à média e não são muito estáveis ano após ano. Por exemplo, se um RB tem média de 5.5 jardas/carregada num ano: não é tão frequente que vejamos RBs com mais de 5 jardas/carregada repetirem o feito no ano seguinte; vemos a regressão à média.

Isso é algo que sempre tenho em mente: estatísticas proporcionais não são tão boas quanto estatísticas de volume; falo em tentativas, alvos. Muita gente as vê como estatísticas situacionais: para um RB, num backfield sem muitos RBs talentosos, ele terá naturalmente mais volume, para um WR, num time sem muitas alternativas de recebedores, então ele terá mais volume.

Mas, realisticamente falando, volume é uma estatística de habilidade. Para que CMC tenha o volume que ele recebe ele tem que ser bom. Para que Odell Beckham veja anualmente 120 alvos ele tem que ser bom, ele tem que estar livre para receber estes alvos. Então volume não é a lei só em pontuação; você precisa de volume para acumular pontos como um jogador, mas é muito importante quando você olha para os dados ano a ano e tenta fazer projeções para o ano seguinte. E, neste ponto, precisamos olhar para o volume sob a perspectiva das circunstâncias do jogador em um time.

Faço muito isso com prospectos do college, mas você pode fazer o mesmo na NFL, mas do que estou falando de verdade é de market share, como chamamos isso. Digamos que um WR num ataque que passa muito a bola veja 100 alvos. Se este WR vê 100 alvos em 500 possíveis, então ele tem 20% de target share neste ataque. Se ele vê os mesmos 100 alvos num conjunto de 400 possíveis, então ele tem 25% de target share, o que mostra que ele estava fazendo mais naquele ataque e mais do que a concorrência na posição, se comparado ao outro jogador que também fez muito no outro ataque.

Quando faço projeções estou procurando como este jogador vai desempenhar de um ano pro outro, estou olhando a situação do time para saber o quanto este time vai passar a bola e, a partir daí, eu vou dizer se este jogador verá 20% de target share e assim posso ter uma projeção mais precisa sobre como alguém vai desempenhar naquela temporada.

Caio Ribeiro (CR) – Como você aborda consistência em FF? Você a considera utilizável? Podemos usá-la para fazer previsões no FF?

JJ – A ideia não é errada, mas a aplicação, de certa forma, frequentemente, é. Trabalhamos com um conjunto de dados relativamente pequeno, em que podemos tirar muitas conclusões falsas sobre o que vemos numa certa temporada. Então vemos um jogador com piso alto toda semana, John Brown foi um ótimo exemplo ano passado. John Brown antes da temporada passada: nós possivelmente não pensamos nele como alguém que seria muito consistente; pensaríamos que ele é um alvo profundo, um jogador volátil em consequência, mas ele veio a ser um dos WRs mais consistentes, de piso alto, mas não com tanto teto no FF.

É só um exemplo, claro, mas onde quero chegar é que a forma que estes jogadores marcam pontos é importante. Você quer a certeza de juntar um jogador de piso alto, um slot receiver, com algumas peças mais voláteis, as quais você não sabe quanto irão marcar numa semana. O jeito que vejo isso é por um nível mais alto: olho pros jogadores num ponto de vista de projeção de temporada; a volatilidade é menos em como eles marcam pontos e mais no que sabemos sobre sua situação e o quão ambígua ela é.

Um bom exemplo disso seria Jarvis Landry, que está saindo na sexta rodada dos drafts (digamos que sua lesão não seja séria): sabemos que ele tem sido bem consistente ao longo dos anos, ele tem cerca de 80 recepções anualmente, então sabemos como projetá-lo.

Ao passo você procura alguém uma rodada depois, como Diontae Johnson, que é alguém que não sabemos como piso e teto realmente serão, bem como o leque de resultados, mas o que podemos fazer é olhar as evidências e dizer “ok, Diontae Johnson está num ataque que passa a bola ou assim o será, ele será a segunda opção por lá, ele vem de uma temporada em que liderou os calouros em recepções num bom grupo de calouros, foi um bom prospecto, capital alto de draft investido, e foi para um time famoso por achar bons WRs no draft”.

Então há muitas coisas agindo em favor de Diontae Johnson, enquanto algumas pessoas vão dizer “não sei se quero pegar o DJ porque não vejo a consistência, não estarei confortável de pegá-lo no sétimo round”, enquanto o que vejo é esse teto enorme: ele pode superar seu ADP se tudo der certo. Assim eu procuro olhar menos para a consistência semanal e mais para o leque de resultados e está é uma melhor maneira de ver o que consistência é de fato.

GC – Você tuitou mais cedo que uma das suas estratégias de alívio de estresse é buscar Diontae Johnson em todos os drafts.

JJ – Está certo, eu penso que ele é um alvo muito bom esse ano.

GC – Falaremos disso em instantes. Vamos falar um pouco sobre JJ, o jogador de fantasy. Para cada liga há uma estratégia diferente, isso varia muito, mas, no geral, como JJ Zachariason joga FF e quais estratégias você usa no geral?

JJ – Gosto muito de entender o mercado e, por esta afirmação, eu não falo apenas de ADP, eu falo de reagir ao que está acontecendo no draft. Penso que é uma das coisas mais subutilizadas e desvalorizadas no FF. Eu posto drafts com experts ou mocks e as pessoas me perguntam “por que você pegou este cara aqui? Por que você pegou ele tão cedo em relação a seu ADP?” mas você deve dar contexto a essas escolhas.

Se parece que estou pegando este WR muito cedo é porque estou fazendo uma leitura do draft e eu sei que o cara que estou jogando contra costuma ir forte em WRs, digamos, ou em certa direção. Então estou jogando de acordo a como o resto da liga faz. 

FF não é sobre montar esse time perfeito sem considerar o que acontecendo a sua volta. FF é sobre vencer seus colegas de liga, os outros 11, e o jeito de fazer isso é encontrando as pequenas vantagens e probabilidades, e uma dessas coisas é fazer a leitura do draft e se assegurar de que se está valorizando apropriadamente os jogadores como resultado.

Tenho ideias… indo pro draft, eu saber a estratégia geral que vou usar baseado nas configurações e pontuações da liga, tenho prateleiras em que sei quando as quedas de uma prateleira à outra acontecem numa posição, mas os tipos de posição que busco, eu certamente não vou pegar QB cedo, eu geralmente espero para pegar TE, então busco muitos RBs e WRs nas primeiras rodadas.

Mas a questão é “quando escolho se vou pegar um RB ou WR?” e, pra mim, a resposta é “você deve ser flexível”; você deve ser capaz de ler o draft e entender a direção que ele está tomando tal que, quando uma corrida começar numa posição, quando times começam a pegar jogadores da mesma posição… se você pega um jogador no final daquela corrida você está desvalorizando a posição.

Exemplo: se você está numa liga superflex, em que você de repente verá muitos QBs saindo do board e, em certo ponto, você verá Matt Stafford saindo, e uma rodada depois outros oito QBs saem. Se você foi o oitavo dessa corrida nestas duas rodadas, você desvalorizou muito aquela escolha. Você deve iniciar a tendência e não encerrá-la.

Esse é um motivo pelo qual se você pega QB cedo – isso é algo que as pessoas não pensam muito a respeito – mas se você pegar Lamar Jackson no draft desse ano, reze para que seus adversários não esperem muito para pegar QBs também, porque se você for atrás de Lamar no 2º round (onde está seu ADP), e Patrick Mahomes sair no 7º round, você vai se martirizar por pegar LJ. Veja, você não pode ler o draft nestas posições de um titular, como TE e principalmente QB, se você é o primeiro a pegar um jogador da posição. Resumindo, é sobre ler o draft e isto é geralmente minha abordagem, que é ter uma estratégia, mas ser bem reativo e flexível ao que os outros times estão fazendo no draft.

GC – Excelente. Esta pergunta é do Rui: considerando que sua abordagem é muito orientada a números, você utiliza intuição em algum momento ou confia exclusivamente nos números?

JJ – Intuição vem de algum lugar, não apenas acontece na sua cabeça e, de repente, você atua nisso. Acredito que é algo que você viu ou leu por aí e há uma evidência ou natureza por trás dessa intuição e, geralmente falando, se existe algo ali, você provavelmente encontrará dados a respeito e quantificá-lo. Para mim, eu começo pelos dados, claro; quero draftar jogadores que possuem o leque de resultados adequado a seu ADP, mas, se há uma situação em que sinto que Ke’Shawn Vaughn vai assumir…

Jonathan Taylor é um exemplo melhor. Eu o vejo como alguém que pode assumir aquele ataque mais à frente na temporada e ser um RB de 3 descidas em Indianápolis. Isto é uma avaliação intuitiva em que não temos tanta evidência disso, porque tudo que estão dizendo em Indy é que será um comitê, ou dois líderes em Marlon Mack e JT, Nyheim Hines vai pegar passes, e eu não discordo disso para o início da temporada, que seja isso o que os técnicos estão pensando.

Mas a minha intuição e meu jeito de pensar sobre isso dizem que jogo fantasy há mais de 15 anos, e eu sei que técnicos dizem isso toda hora antes da temporada, até o talento ir embora e, para mim, em talento, JT é, de longe, o melhor talento naquele backfield. Então eu não me surpreenderia de ver JT virando um RB de 3 descidas em Indy ao longo da temporada.

De novo, é uma avaliação intuitiva quando digo que acredito nisso, mesmo que não haja evidências suficientes; elas estão lá baseadas nas minhas experiências, no que vi anteriormente em técnicos e fantasy football.

CR – JJ, como você usa os dados de séries históricas da liga nas análises? Como você pensa isso e como se pode prever algo a partir disso?

JJ – Acredito que isso volta ao que falei anteriormente sobre como as pessoas super-reagem ao que aconteceu na última temporada no mundo do FF; 2015 foi um bom exemplo disso em que os RBs foram mal e Devonta Freeman foi o RB1, e, no ano seguinte, todo mundo começou a vender a ideia do Zero-RB, que é uma boa estratégia; a lógica por trás dela é boa, mas não deveria ser apenas por aquela temporada, mas por tendências.

Então o que faço é procurar essas tendências, que realmente ocorrem. Muitas pessoas vão dizer “WR é uma posição profunda”, por exemplo, que eu não discordo, mas temos dito nos últimos cinco anos que você pode esperar por WRs e estocar RBs nas primeiras rodadas. Entendo de onde isso vem pois, tendo Jarvis Landry na sexta rodada, Diontae Johnson na sétima, um Will Fuller, jogadores com teto alto em rodadas mais baixas, eu entendo a lógica, mas, baseado na história, estes caras decepcionam com mais frequência do que se pensa.

WR, na verdade, é uma posição que, se você procura o jogador que vencerá a sua liga, um top-8, que é uma avaliação matemática, eles quase sempre saem nas primeiras cinco rodadas de um draft, muito mais frequente que entre RBs.

Se você procura estes jogadores, não vai encontrá-los tarde no draft, por isso vemos em Best-Ball o percentual de sucesso ser maior entre os participantes que investem alto em WRs acima do comum, quando eles draftam 3 WRs ao invés de 1 nas primeiras 5 rodadas.

Procuro especialmente tendências: como alvos são distribuídos para as posições, se as coisas mudam nesse aspecto, como os elencos mudam, e se vejo isso acontecer em várias temporadas, e não somente de uma para a outra, porque essas coisas regridem de alguma forma. Mas, se vejo isso acontecer um ano após o outro, então vou ajustar minha estratégia, então vou olhar as coisas de outro jeito.

E o mesmo vale para o mercado no ADP: eu sempre vendi que se pegue QB tarde no draft, mas o mercado está eficiente este ano nos rankings da posição, em minha opinião. Quando comecei a escrever meu livro em 2012, o QB12 era draftado na oitava rodada, e agora o QB6 é pego a esta altura, porque todo mundo mudou pra pegar QB mais tarde. Se lá atrás eu falei que tarde era a oitava rodada, isso deveria continuar, então estou mais propenso a pegar QB nas rodadas de meio por conta da eficiência do mercado.

Então é basicamente se ajustar ao mercado e a tendências nas ligas e se assegurar de que elas existem de fato e não apenas coisas que acontecem em uma temporada.

GC – Sobre a temporada 2020: que jogadores, além de Diontae Johnson, você vai buscar nos drafts e quais você pretende evitar?

JJ – O jeito que abordo os drafts é que meu conjunto de considerações sobre os jogadores que pego é grande enquanto olho o grupo de jogadores e risco aqueles que não quero, que geralmente evito. Entre estes estão a maioria dos RB2, são historicamente algumas das piores apostas no FF, caras que pego no final da terceira rodada indo até a quinta. Eles não retornam um bom acerto.

Nesta seara, temos Leonard Fournette: é ruim se apoiar nele porque sabemos que os Jaguars queriam se livrar dele, há um novo coordenador ofensivo, trouxeram reforços no jogo aéreo para o backfield, e foi nessa parte que Fournette fez o que fez ano passado. O ataque deve ser bom este ano. Há razões para evitar Fournette e outro exemplo é Raheem Mostert, que está crescendo nos drafts.

Mostert certamente tem um upside enorme em TDs, mas me preocupo com sua participação no jogo aéreo. Por outro lado, eu gosto de Tevin Coleman, ele é um bom valor. A distância entre esses dois é grande. Coleman teve nove jogos ano passado em que teve ao menos 9% de target share e, em quatro destes, teve ao menos 10%. Mostert teve apenas dois jogos em que alcançou estes 10%, porque Coleman foi mais usado nos passes.

Não esqueçam que Tevin Coleman foi o titular no divisional contra Minnesota e machucou o ombro na final da NFC, por isso estava baleado e mal jogou aquela partida além do Super Bowl. Então acredito que veremos um comitê em San Francisco, então Tevin Coleman é o cara que tenho buscado porque acredito que ele pode superar seu valor; Tarik Cohen é outro nesta categoria. Já mencionei Diontae Johnson, alguém que estou procurando muito, Will Fuller também: agora que DeAndre Hopkins se foi, se Will Fuller jogar a temporada inteira ele será um WR2 no FF, acredito muito nisso.

E outros jogadores que acredito que se possa buscar mais tarde nos drafts… alguém subestimado nos drafts é CeeDee Lamb: as pessoas dizem “ele é a terceira opção naquele ataque, não verá muito volume”. Randall Cobb viu 83 alvos naquele ataque ano passado. CeeDee Lamb é melhor que isso. Mesmo que Dallas não passe tanto a bola, CDL deve superar seu ADP. Ele é uma das minhas escolhas favoritas de fim de draft. Geralmente não vemos tantos WRs calouros estourarem mas acho que ele está num bom lugar.

E o último jogador que gostaria de falar é Anthony Miller: terceiro-anista, um pouco baleado, teve seus bons momentos e este pode ser o ano do seu breakout.

CR – Quais ligas são as suas favoritas?

JJ – Gosto de ligas que te façam pensar na estratégia. Em ligas tradicionais você já sabe que pode esperar pra pegar QB, pode também esperar por TE se quiser, basicamente pegar QBs e RBs nas oito primeiras rodadas ou mais… gosto de ligas que te façam pensar mais.

Uma liga TE premium, que dá 1.5 PPR aos TEs, esta posição tem um bônus. Ligas Superflex, acho que deveria ser o padrão, em que você basicamente escala 2 QBs semanalmente porque você quer jogar com um QB na posição de superflex. Mas eu acho que deveria ser o padrão, porque ao menos permite ou força as pessoas a pensarem diferente sobre a posição de QB.

GC – Pra fechar, uma pergunta clichê: considerando que fazemos conteúdo aqui no Brasil – o BrFF é um dos pioneiros no assunto aqui no país – que conselhos você pode dar a nós e todos aqueles que queiram escrever sobre FF ou produzir podcasts, vídeos e afins, já que você começou do zero como nós e alcançou uma posição proeminente? Que conselhos você pode dar para que sejamos bem-sucedidos?

JJ – O mercado está saturado de conteúdo agora; tem muito conteúdo por aí sendo feito por pessoas, mas o que posso dizer é: não é difícil se destacar de alguma forma, falo sobre ser diferente… veja o mercado, veja o que não está lá e que você pode produzir e preencher lacunas. Se você olhar as estórias de sucesso, Matt Harmon é um grande exemplo, está trabalhando no Yahoo; ele fez o seu nome mapeando rotas de WRs com seu “Reception Perception”, um jeito diferente de olhar para a posição de WR e como usar filmes e dados para melhor decidir como abordamos a posição. Ele chamou atenção em virtude disso porque estava fazendo um trabalho bom e diferente.

Argumento que isto aconteceu comigo com o ebook “Late Round QB”. Ebooks não eram grande coisa quando publiquei lá atrás, mas toda a comunidade dizia “pegue um QB cedo este ano” e eu saio por aí com livro que diz “não; pegue QB mais tarde e este é o motivo”, com lógica e raciocínio.

Acho que as pessoas giram em torno de conteúdo bom e que faz sentido, mas, ao mesmo tempo, ele tem que se destacar e ser diferente, não só pela diferença, mas pela paixão que você emprega nele. Mas tente achar algo que não esteja lá fora e que você tenha paixão para preencher esse vazio de mercado.

CR – Tendo em vista que organizamos um torneio com produtores de conteúdo e o público, como o Scott Fish Bowl, o que você acha desse tipo de evento? O que você pensa do Scott?

JJ – Acho ótimo. O que Scott faz em caridade é maravilhoso, conheço ele pessoalmente, já estive pessoalmente com ele algumas vezes, é um cara legal.

O que o evento faz é enfatizar o mais importante no FF que é juntar pessoas e ter uma jornada e experiência em comum; não é preciso ser tão competitivo; é preciso ser divertido, antes de tudo.

Então o torneio é o que tem sido: algo grande em que pessoas, quando são convidadas, sentem como se tivessem ganho o bilhete dourado de Willy Wonka [da Fantástica Fábrica de Chocolate]. É algo grandioso porque é uma experiência divertida, não porque as pessoas querem mesmo vencer – claro que querem vencer –, é sobre fazer o draft no começo de julho, quando outros drafts também ocorrem, o papo sobre FF por duas a três semanas… é uma coisa muito boa e, para mim, é isso que representa o FF.

CR – O que você pensa de High Stakes? Você joga? No FD você trabalha com Daily Fantasy Sports, Best Ball… qual você prefere?

JJ – Amo DFS. Minha experiência foi: eu me empreguei no Numberfire, um ano depois publiquei meu livro e então fomos adquiridos pelo FD dois anos e meio após. Então sou empregado do FD por um bom tempo já, então obviamente vou dizer que amo DFS, mas já amava antes desta aquisição.

Gosto mais de jogar para a temporada inteira, e acho ligas High Stakes muito boas, mas, se você não é alguém que curte se apegar a jogadores ou se preocupar com lesões e afins, DFS é um jeito de se desvincular disso e não sentir que está investindo tanto num mesmo jogador, e eu amo que as economias estão como estão no FF em que você pode investir um bom valor e ganhar um bom dinheiro também se as coisas derem certo. E eu apoio isso. Se você pode jogar DFS, você deve, mesmo que seja por diversão.

Muita gente vai dizer “DFS é muito difícil, tem muito tubarão que vai tomar seu dinheiro”. Não é necessariamente verdade. Pra mim, é diversão sobretudo. Você pode jogar cinco dólares no FD e ter uma experiência divertida e entretedora num fim de semana de partidas, e cinco dólares não são muita coisa. Você não precisa de muito dinheiro pra tirar algo dali, por isso é algo que considero ser uma experiência divertida.

GC – Onde as pessoas podem encontrá-lo nas redes? Foi uma honra e um privilégio falar contigo. Falo em nome de nós três e agradeço o seu conhecimento não só aqui, mas em seu podcast, seus escritos e seu livro. Obrigado, você é uma grande influência pra nós todos.

JJ – Agradeço. Amo falar com pessoas de fora dos Estados Unidos. É muito legal ouvir de pessoas não só do Brasil, mas da Alemanha; aparentemente muita gente de lá ouve o podcast, é interessante. Adoro que o alcance é global e não só nos EUA. Então agradeço vocês me receberem e conversarem comigo e ouvirem o podcast, e tudo isso significa muito. Estou no Twitter e nas demais redes no @LateRoundQB e no “Late Round Podcast” obviamente, que é minha coisa preferida atualmente no mundo do FF; faço dois podcasts por semana antes da temporada e chego a quatro depois que ela começa.

GC – JJ, obrigado mais uma vez por estar conosco, é uma honra e um privilégio; espero que possamos conversar e gravar novamente, falando sobre outros assuntos; muito obrigado!

JJ – Obrigado!

CR – JJ, obrigado, cara, por se juntar a nós aqui pra conversar com a gente; somos mais que fãs pra você. Acredito que o BrFF é inspirado no seu trabalho e do Numberfire e é muito bom estar aqui contigo.

JJ – Agradeço muito, caras.


Espero que tenham gostado desta entrevista! Se sim, comentem conosco no twitter.com/BrFFootball. Um abraço!

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