Regressão, 2019

Se você joga fantasy há mais tempo, já deve conhecer o conceito de regressão. Se não conhece, deve entender que ele vem da estatística e nem sempre tem conotação negativa (como costumamos usar na conversa informal).

Regressão é uma análise de dados que correlaciona variáveis dependentes e independentes, de modo que podemos, no fantasy, avaliar as tendências e os casos que fogem delas.

Neste artigo, os touchdowns são a variável dependente e os números de volume (tentativas de passe, carregadas, alvos) e a nossa análise se resume à última temporada. Vamos a eles?

Passes (para TD)

Lamar Jackson foi extremamente eficiente ano passado (basta ver o seu ponto muito longe da tendência). 36 TDs de passe em pouco mais de 400 tentativas foram um absurdo que não se vê toda hora.

Em 11 jogos, Drew Brees (27 TDs) também teve eficiência muito alta, igualando, por exemplo, a Jimmy Garoppolo que jogou toda a temporada.

Stafford, no pouco que jogou, também produziu bem, embora ele seja melhor em anos ímpares do que pares (mas fantasy não é lugar para superstições 🤣).


O outro lado da balança nos traz Jared Goff, que passou para apenas 22 TDs em mais de 600 passes tentados no ano passado. Ele segue titular e Sean McVay está fazendo ajustes para fazer seu QB voltar aos bons números das duas temporadas anteriores.

Mitch Trubisky também não foi produtivo, lançando apenas 17 TDs em 516 tentativas. Matt Nagy manteve sua titularidade para 2020, mas será que ele vai corresponder? Ou será que Nick Foles tomará seu posto?

Correlação entre tentativas de passe e TDs, 2019.

Corridas (para TD)

Quem esperava tantos TDs corridos para Aaron Jones? 16 vezes ele cruzou a endzone em 236 tentativas. Para se ter ideia, Derrick Henry precisou de 303 para alcançar o mesmo feito.


Quem teve pouca eficiência foi Leonard Fournette, o pior entre aqueles com 250+ carregadas. Foram somente 3 TDs corridos. Seu talento e porte físico podem levá-lo a mais que isso em Tampa Bay.

Le’Veon Bell também teve pouca sorte no quesito, com os mesmos 3 TDs em 245 corridas. Neste caso, Adam Gase sempre será seu calcanhar de Aquiles.

Correlação entre corridas e TDs corridos, 2019.

Alvos x Recepções para TD

Wide Receivers

Os WRs de Detroit (Golladay, Jones) capitalizaram bastante com seus alvos na última temporada, cada um convertendo quase 1 a cada 10 alvos em 1 TD. Números impressionantes.

Outra dupla, agora de Browns (Marquise, Baltimore; AJ, Tennessee) também tiveram eficiência bem acima da média, também na casa dos 9% de conversão dos alvos em TDs.


Quem não teve a mesma sorte foi Robert Woods. A exemplo de seu QB (Goff), a eficiência foi muito baixa, em que seus 139 alvos resultaram em pífios 2 TDs (1 deles na irrelevante semana 17). É de se esperar que as coisas melhorem pra ele em 2020.

Running Backs

Destaque positivo para Austin Ekeler, que anotou 8 TDs de passe em 108 alvos. Um dos melhores de sua posição em ligas (half) PPR. Ele não terá mais Philip Rivers, mas Tyrod Taylor, em situações de perigo e quando não usar as pernas, pode contar com seus serviços para dispensar a bola.


Mais uma vez falaremos de Leonard Fournette. que foi o segundo jogador nos últimos 10 anos a ter ZERO TDs aéreos sendo alvo 100+ vezes numa temporada. Bizarro. Assim como não espero muitos TDs aéreos pra ele com Tom Brady, não espero que ele passe sequer perto dos mesmo volume de alvos.

Tight Ends

Jared Cook foi o grande beneficiado no jogo aéreo dos Saints quando esteve em campo, convertendo 13% de seus alvos em TDs (9). Com Emmanuel Sanders no time e Alvin Kamara saudável, não creio que isto se repetirá em 2020 com o veterano.

Mark Andrews foi outro que produziu demais em relação a seus alvos: 10 TDs em 98 alvos.


Por outro lado, Darren Waller, o breakout de 2019, viu somente 3 TDs em 117 alvos.

Não é fácil ver a regressão afetar positivamente a situação de um tight end no ano seguinte, portanto, ainda que Waller conserve seu target share, não devemos esperar que os TDs venham no rastro, sobretudo num time que não terá tantos scripts e matchups que favoreçam o principal recebedor dos Raiders.

Outros que sofreram para encontrar a endzone foram OJ Howard, Greg Olsen e os TEs dos Rams (Tyler Higbee, Gerald Everett).

Como podemos ver, esperamos que TDs ocorram em função do volume de um jogador, com variações causadas por inúmeros fatores (confrontos, esquema, corpo técnico, etc.). Mas ainda assim conseguimos enxergar tendências de modo a valorar os jogadores para a temporada seguintes, seja para não superestimar uma estrela ocasional ou subestimar um talento mal aproveitado.

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