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Fala Turma #6: cinco jogadores que vou (tentar) evitar em 2025

Nas edições anteriores do “Fala Turma” falei sobre meus alvos e estratégias para os drafts de 2025. Agora chegou a hora de explicar os meus “fades”, mesmo que não goste muito dessa nomenclatura.

A verdade é que não devemos nos prender a nenhuma forma de montar nossos times e/ou nomes específicos, pois cada draft tem sua história.

Abaixo, vou citar cinco jogadores que estou evitando (mas tudo depende do preço):

Baker Mayfield (QB – Buccaneers)

Baker foi uma das grandes surpresas de 2024, terminando como QB4 em pontos por jogo (22,6 FPG) e comandando um dos ataques mais eficientes da liga. Agora, o cenário é diferente — e menos favorável.

O corpo de recebedores continua fortíssimo com Mike Evans, Chris Godwin, Emeka Egbuka e Jalen McMillan, mas o quarterback perdeu seus dois últimos coordenadores ofensivos (Liam Coen e Dave Canales) para cargos de head coach.

O novo playcaller, Josh Grizzard, já chega pressionado, e para piorar, Tristan Wirfs — um dos melhores LTs da NFL — deve perder pelo menos o primeiro mês de temporada.

Baker teve uma explosão estatística que dificilmente se repete: sua taxa de passes para TD subiu de 4,6% na carreira para 7,2%, o YPA (jardas por tentativa de passe) saltou para 7,9 (após cinco anos seguidos abaixo de 7,3) e o índice de acerto passou de 64,3% para 71,4%. Ele também mais que dobrou seu recorde de jardas terrestres, mas isso parece mais exceção do que regra.

Com um downgrade na linha ofensiva, a regressão natural nos números e uma defesa que ainda deve manter os jogos equilibrados, vejo Baker como “overpriced” no ADP atual. Prefiro outros jogadores que custam menos, como Drake Maye, Brock Purdy, J.J. McCarthy, Justin Fields, Dak Prescott e Trevor Lawrence.

Breece Hall (RB – Jets)

Eu sei… o talento do Breece é inegável. É um dos meus jogadores favoritos na liga. Mas talento sozinho não garante pontuação em fantasy, além do ambiente ao redor me preocupar também.

A queda de eficiência nas últimas três temporadas é clara: YPC (jardas por corrida) de 5,79 (2022) para 4,19 (2024), YAC/Att (jardas depois do contato por tentativa) despencando de 3,63 para 2,59 e produção em EPA cada vez mais negativa. E isso nem é o principal problema.

O ataque dos Jets deve ser um dos piores da liga — projeção de apenas 19,6 pontos por jogo (29º na NFL) — e agora com Justin Fields no lugar de Aaron Rodgers. Fields é um dos QBs mais móveis da liga (projeção de ~150 corridas), o que pode roubar oportunidades de goal line e, principalmente, targets no check-down, área em que Breece brilhou nos últimos dois anos.

Ainda há o risco de comitê: o novo técnico Aaron Glenn já falou em envolver os três RBs do elenco, e ele vem de um sistema em Detroit que não tem problema nenhum em dividir o backfield. No preço de fim da 3ª rodada, vejo muitos caminhos para a decepção. Me dê Ken Walker, Omarion Hampton e/ou jogadores de outras posições aqui.

James Cook (RB – Bills)

Cook teve uma temporada extremamente produtiva, terminando como RB10 em pontos por jogo e com um ataque dos Bills projetado para liderar a NFL em pontos em 2025. Mas os números pedem cautela.

O principal ponto é a regressão de touchdowns: Cook anotou 18 TDs em 2024 (2º melhor da liga), quando o modelo da ESPN projetava apenas 11. Sua taxa de TD foi absurda (7,7%), muito acima de seus números de 2022 e 2023. Além disso, ele teve apenas 48% das corridas dentro da linha de 5 jardas — ranking 24º entre RBs — e ainda divide essas chances com Josh Allen, que adora correr na goal line.

O papel também não foi de workhorse: apenas 48% de snap share e 35% de participação em rotas (36º entre RBs), com Ty Johnson pegando o terceiro down e Ray Davis podendo ganhar mais espaço no segundo ano. Isso abre chance para um comitê de três jogadores.

No preço de 4ª rodada, acho que o mercado está pagando pelo ano passado e não pelo cenário mais provável daqui pra frente.

Jaxon Smith-Njigba (WR – Seahawks)

Espero estar muito errado sobre JSN. Acabei escolhendo o WR dos Hawks no final da terceira rodada da minha home league por preocupações sobre a saúde de Stafford quando Davante Adams estava no board. E sinto que vou me arrepender disso. Mas quem sabe a “zica reversa” não funciona.

JSN fez o que muita gente esperava no segundo ano: passou de calouro discreto para WR1 do time, acumulando 100 recepções, 1.130 jardas e top-10 em fantasy points entre WRs. Mas, olhando o contexto, há motivos para moderação no hype.

Boa parte da explosão veio quando D.K. Metcalf perdeu jogos — o first-read share dele saltou de 21% para quase 30% no período. Agora, sem Metcalf no elenco, a expectativa é de volume alto… mas com Sam Darnold no comando e Klint Kubiak chamando jogadas, o ataque deve correr mais.

O encaixe com Cooper Kupp também preocupa: ambos são slot receivers (JSN 84% das rotas, Kupp 65%), e jogar mais snaps no perímetro tiraria JSN da zona onde ele mais se destaca. Seus índices de separação e win rate caem bastante quando alinhado por fora.

No atual preço, prefiro apostar em nomes como Tyreek Hill, Tee Higgins ou Davante Adams (com notícias mais otimistas sobre Sttaford), que trazem mais upside no mesmo range.

Zay Flowers (WR – Ravens)

Flowers é um jogador empolgante de assistir, mas sua produção em fantasy ainda não justifica o preço. Foram dois anos como WR3 e agora ele está sendo draftado como WR2/3, próximo ao teto.

Apesar de pequenas melhoras em métricas como YPRR (jardas por rota corrida) e TPRR (alvos por rota corrida), ele viu o número de targets desenhados cair (de 28 para 22) e fez só 4 TDs mesmo num ataque que foi o 2º em passes para touchdown.

O problema? Volume baixo na red zone — apenas 13 alvos na end zone em toda a carreira — e agora mais competição com a chegada de DeAndre Hopkins.

O ataque de Baltimore é historicamente conservador no jogo aéreo (26º em pass rate over expectation em 2024) e ainda tem Derrick Henry para “roubar” volume e espaço próximo à linha do gol. Flowers também foi inconsistente, com 11 jogos abaixo de 12 pontos e oito partidas com menos de 40 jardas recebidas.

Para ele pagar o ADP, precisaria de um salto grande em touchdowns — algo que não me parece provável com Andrews e Henry brigando por oportunidades na red zone.

Conclusão

Como sempre digo: “fade” não é sinônimo de “não draftar em hipótese alguma”. Todos os cinco nomes que citei — Baker Mayfield, Breece Hall, James Cook, Jaxon Smith-Njigba e Zay Flowers — podem entregar valor em 2025, mas no preço atual, vejo mais risco do que retorno.

O fantasy é um jogo de probabilidades e de custo x benefício. Às vezes, evitar um jogador não tem nada a ver com o talento dele, e sim com a combinação de situação, volume projetado e o que você está pagando por isso no draft. Se em determinado dia um desses cair no board além do esperado, é claro que posso morder a isca. Mas entrar no draft já disposto a pagar caro por eles? Aí não é o meu jogo.

No fim das contas, o objetivo é simples: minimizar riscos desnecessários e maximizar upside em cada escolha. E esses cinco, pelo menos neste momento, não se encaixam nessa equação para mim.

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