Fala, turma. Tudo bem com vocês? Muitos drafts feitos? Alguns ainda por vir?
Hoje, eu gostaria de falar sobre sleepers e breakouts. Acredito que identificar esses valores nas nossas ligas pode ter um diferencial muito grande no decorrer da temporada.
Quem são os meus sleepers de 2025? Separei dois nomes de cada posição…
Quarterbacks
J.J. McCarthy (QB – Vikings)
J.J. é um dos meus principais alvos como sleeper em 2025. Kevin O’Connell já mostrou que sabe montar ataques produtivos pelo ar — nas três temporadas como HC dos Vikings, sempre esteve entre os seis melhores em jardas aéreas e em taxa de passes acima da expectativa. No ano passado, esse mesmo sistema conseguiu ressuscitar a carreira de Sam Darnold, que terminou como QB11 em pontos por jogo, mesmo oferecendo quase nada como corredor.
McCarthy chega para herdar um dos melhores grupos de recebedores da liga, com Justin Jefferson, Jordan Addison e T.J. Hockenson, além de uma linha ofensiva muito interessante. Ele não correu tanto em Michigan, mas tem capacidade atlética para agregar valor com as pernas. O risco de apostar em um semicalouro (rs) sempre existe, mas esse risco também ajuda a segurar o preço atual dele. O teto é alto o suficiente para valer a aposta, da mesma forma que vimos com Jayden Daniels no ano passado.
Trevor Lawrence (QB – Jaguars)
Depois de uma temporada bem abaixo do esperado, Trevor Lawrence pode estar pronto para 2025. O motivo principal é a chegada do técnico Liam Coen, que vem dos Buccaneers depois de extrair o melhor ano da carreira de Baker Mayfield — foram 4.500 jardas, 41 TDs e um salto de quase 32% na produção de fantasy.
Agora, Lawrence terá talvez o melhor grupo de recebedores que já teve: Brian Thomas Jr., que estreou na NFL com mais de 1.200 jardas, e Travis Hunter, que deve ter participação massiva já de cara. É um ataque explosivo em potencial. Se Coen repetir em Jacksonville o que fez em Tampa, Lawrence finalmente pode entregar o status de top-5 QB que muitos projetaram quando ele saiu do college.
Running Backs
Bhayshul Tuten (RB – Jaguars)
Aqui eu poderia falar de Tank Bigsby (que também gosto bastante), mas minha aposta é Tuten. O motivo é simples: Travis Etienne não rendeu em 2024. Ele foi um dos piores RBs da NFL em métricas de eficiência — apenas Kareem Hunt forçou menos tackles por tentativa do que Etienne, enquanto Bigsby teve números bem superiores em jardas após o contato.
Nesse cenário, a nova diretoria dos Jaguars escolheu Tuten no Draft, e há relatos de que o GM James Gladstone já tinha o nome dele como prioridade antes mesmo de assumir o cargo. Se Etienne já estava na berlinda, a chegada de Tuten aumenta ainda mais a pressão. Eu vejo um caminho real para ele tomar conta do backfield já na metade da temporada.
Jacory Croskey-Merritt (RB – Commanders)
JCM talvez seja um dos sleepers mais escondidos de 2025. O titular Brian Robinson é sólido, mas não tem explosividade nem consistência em situações de curta distância. É aí que JCM pode se encaixar. Ele tem aceleração e boa visão, além de um histórico no college de lidar bem contra diversos tipos de defesas.
No sistema de Kliff Kingsbury, que valoriza corridas em espaço e cortes rápidos, Croskey-Merritt pode ganhar território nas primeiras semanas. O talento bruto está lá — ele só precisa mostrar consistência para ganhar confiança dos técnicos. E se isso acontecer, a comissão pode não resistir a dar mais volume para um RB que traz exatamente o que esse ataque sente falta: jogadas explosivas.
Wide Receivers
Emeka Egbuka (WR – Buccaneers)
Emeka Egbuka é aquele nome que pode explodir no Fantasy logo no ano de estreia. Ele já tinha mostrado muito potencial em Ohio State, mas uma lesão no tornozelo em 2023 atrapalhou bastante seu desenvolvimento. No ano passado, recuperado, voltou a produzir em alto nível mesmo dividindo targets com Jeremiah Smith, outro monstro.
O que me anima em 2025 é o contexto: Chris Godwin ainda lida com problemas físicos e pode não estar pronto para a semana 1, enquanto Mike Evans já está entrando nos 32 anos. Ou seja, há espaço real para Egbuka ganhar volume rapidamente. Ele é bom como corredor de rotas, eficiente (2.5 jardas por rota percorrida, igual a Travis Hunter) e pode virar um alvo confiável já no primeiro ano. Eu vejo ele como um sleeper que pode entregar valor de WR3 bem cedo.
Rashid Shaheed (WR – Saints)
Esse é um dos meus sleepers favoritos do ano. Existe um abismo de seis rounds no ADP entre Shaheed e Chris Olave, mas quando olhamos para os números lado a lado, não faz sentido. Nos últimos dois anos, quando os dois estiveram saudáveis juntos, a diferença de produção foi mínima: Olave ficou em 13.2 pontos por jogo em PPR, enquanto Shaheed teve 11.9.
O mais curioso é que Shaheed foi até mais eficiente por rota (2.03 vs. 1.99) e vinha ampliando sua árvore de rotas antes da lesão no menisco em 2024. Ele já não é apenas aquele velocista vertical — começou a trabalhar rotas médias e horizontais, o que aumentou seu volume. É claro que o ataque dos Saints não inspira muita confiança, mas se for para apostar em alguém nesse contexto, prefiro Shaheed.
Tight Ends
David Njoku (TE – Browns)
Njoku virou aquele TE subestimado que entrega toda temporada. Nos últimos três anos, só três tight ends tiveram mais targets por jogo do que ele: Brock Bowers, Travis Kelce e T.J. Hockenson. Volume é tudo em Fantasy, e Njoku transformou isso em produção consistente — foram 9.6 pontos por jogo em half-PPR em 2024, o que o colocou como TE7.
E se Flacco (ou outro QB) clicar para tornar esse ataque minimamente produtivo (para Fantasy)?
Com a saída de Elijah Moore, sobra ainda mais espaço para targets curtos no ataque de Cleveland. Em um cenário onde Cedric Tillman e Jerry Jeudy brigando pelo protagonismo, Njoku pode continuar sendo aquele cara confiável que segura seu time toda semana no slot.
Brenton Strange (TE – Jaguars)
Strange deu alguns sinais interessantes no final de 2024, quando precisou substituir Evan Engram. Em dois dos quatro jogos como titular, passou das 60 jardas e jogou mais de 70% dos snaps, ou seja, o mesmo volume de Engram quando saudável. Agora, com Engram fora, ele entra direto como TE1 em um ataque que promete ser explosivo (tem vários Jaguars aqui, o que poderia dar errado?).
O detalhe é que Liam Coen conseguiu aumentar em quase 50% as recepções de Cade Otton em Tampa. Se aplicar a mesma filosofia, Strange pode ser um dos grandes beneficiados. Num ataque com Brian Thomas Jr. e Travis Hunter chamando a atenção das defesas, Strange pode se tornar aquele alvo de segurança no meio do campo. E tem mostrado isso no training camp.
Breakouts
E agora vamos passar para a lista de breakouts — jogadores que vejo muito potencial de “explosão” em comparação aos anos anteriores.
Drake Maye (QB – Patriots)
Drake Maye já mostrou bastante coisa em seu ano de calouro, mesmo em condições péssimas. Foram 18.0 pontos por jogo em suas 10 partidas completas, apesar de jogar atrás de uma das piores linhas ofensivas da NFL e lançar para um corpo de recebedores que beirava o desespero. Mesmo assim, terminou como top-12 em metade dos jogos.
Para 2025, o cenário é outro. Os Patriots abriram o bolso para trazer Stefon Diggs, investiram em Kyle Williams e TreVeyon Henderson no Draft, e reforçaram a linha ofensiva com Will Campbell (4ª escolha geral) e Jared Wilson no 3º round. Isso já muda completamente a vida de Maye.
Outro detalhe: mesmo sem jogadas desenhadas para correr (apenas 7 no ano inteiro), ele produziu 35 jardas terrestres por jogo em scrambles, uma das maiores marcas já registradas. Se o coordenador ofensivo, Josh McDaniels, explorar mais essa mobilidade, o teto de Maye pode subir bastante. Em um calendário relativamente fácil e com armas novas, vejo ele como candidato real a top-12.
Bryce Young (QB – Panthers)
Não, Bryce Young não é um bust. A primeira metade de 2024 foi desastrosa — precisão, turnovers e até banco de reservas. Mas a partir da Semana 8, tudo mudou: Young subiu sua taxa de acerto para 74.9%, reduziu drasticamente os erros e começou a parecer, enfim, o QB que Carolina draftou na 1ª escolha.
O que anima ainda mais é a chegada de Tetairoa McMillan, um WR com físico e presença de red zone que o time não tinha. Isso ataca justamente a maior fraqueza de Young no ano passado: sua eficiência dentro da red zone, onde teve apenas 60.9% de passes completos e 18.3% de taxa de TDs (ambas entre as piores da liga).
Não espero que ele vire um top-10, mas vejo caminho claro para Bryce se consolidar entre os jovens QBs em ascensão.
Chase Brown (RB – Bengals)
Após a lesão de Zack Moss no ano passado, Brown assumiu e entregou um volume de workhorse: mais de 80% dos carregamentos, 62% de participação em rotas e 85% dos snaps. Nesse período foi o RB4 com 20.8 pontos por jogo.
Agora, o caminho está ainda mais aberto: Moss foi dispensado, e só sobram Samaje Perine e Tahj Brooks (calouro de 6ª rodada) como reservas. Brown já mostrou que consegue aguentar carga alta (teve 350+ toques em 2022) e, em Cincinnati, qualquer RB com esse volume automaticamente vira candidato a top-5.
Talvez ele não mantenha os 22 toques por jogo da reta final de 2024, mas com Joe Burrow saudável e esse ataque precisando cobrir a defesa ruim, Brown tem potencial para acabar 2025 como um dos RBs mais valiosos.
Jaylen Warren (RB – Steelers)
O backfield dos Steelers deve ser um comitê entre Warren e o calouro Johnson, mas não subestime Jaylen Warren. Ele é um dos RBs mais eficientes da NFL nos últimos dois anos: 3.2 jardas após contato por carregada (melhor marca da liga) e média de 0.26 tackles forçados por tentativa (4º lugar).
Na prática, isso garante um papel sólido em terceiras descidas e situações de passe — e quando estamos falando de PPR/half-PPR, isso é ouro. Se Johnson ficar restrito a situações de goal-line, Warren continua tendo piso de flex e upside para muito mais caso assuma maior volume.
George Pickens (WR – Cowboys)
Troca de ares e upgrade de QB: George Pickens agora vai esticar o campo pelos Cowboys, enquanto CeeDee Lamb domina as rotas curtas e médias. Esse ataque é um dos mais pass-heavy da NFL (Dak Prescott tem média de 35.2 passes por jogo desde 2021), e há volume suficiente para dois WRs top-30.
Pickens já mostrou ser explosivo (2.2–2.3 jardas por rota percorrida nas últimas duas temporadas), mas o detalhe é sua ineficiência absurda na red zone: apenas 2 TDs em 18 targets na end zone nos últimos dois anos. Isso tem tudo para mudar com Dak, que é historicamente um dos QBs mais produtivos nessa faixa do campo.
Se você começar o draft carregado de RBs, Pickens é o típico WR2/WR3 que pode virar steal na 5ª/6ª rodada.
Ricky Pearsall (WR – 49ers)
O calouro de 2024 quase perdeu a temporada inteira por conta de um episódio surreal: levou um tiro no peito durante o verão. Só estreou na semana 7 e ainda sofreu com uma lesão muscular logo na sequência. Apesar disso, mostrou flashes: terminou o ano com 272 jardas em 8 jogos, superando até Deebo Samuel (264) nesse mesmo recorte.
Agora, com Deebo fora de San Francisco, Pearsall deve finalmente ganhar volume consistente. O caminho para consolidar seu espaço ainda não é garantido — Jauan Jennings foi mais eficiente por rota em 2024 — mas Pearsall tem talento e versatilidade para virar rapidamente o segundo recebedor mais confiável desse ataque.
Se estiver saudável, pode ser um dos nomes mais interessantes como breakout de segundo ano.
Tucker Kraft (TE – Packers)
Tucker Kraft está nos meus rankings no mesmo tier que Sam LaPorta. Ambos tiveram função parecida em 2024, com rotas curtas, mas Kraft foi mais eficiente: 10.1 jardas por target contra 8.7 de LaPorta, além de liderar em taxa de rotas (84% contra 76%).
Outro detalhe: Kraft gera muito mais jardas pós-recepção (8.5 contra 4.8 de LaPorta), e já forçou o mesmo número de tackles (20) em metade dos targets. Agora em 2025, o ataque dos Packers deve passar mais a bola, e se Jayden Reed perder tempo por lesão, Kraft pode ser ainda mais envolvido.
Draftado atualmente como TE12, é simplesmente um dos maiores valores da posição.
Dalton Kincaid (TE – Bills)
Dalton Kincaid teve bons momentos como calouro e, antes da lesão no joelho em 2024, estava com 5.7 targets por jogo, volume de TE10. Mais importante: seu índice de vitórias em rotas contra marcação foi top-7 da liga entre TEs, confirmando o que já sabíamos — ele é um dos melhores separadores jovens da posição.
O ataque dos Bills ainda é concentrado, e mesmo que ele não seja o alvo número 1, o caminho para terminar o ano como TE top-8 está aberto. Para quem optar por esperar por TE no draft, Kincaid é o alvo ideal no final.
Quantos desses nomes vocês gostam também?
Os nomes que destaquei aqui não são unanimidade no mercado, e é justamente isso que os torna valiosos. Quando você encontra jogadores que podem entregar produção de elite, mas que não estão sendo tratados como tal no ADP, aí sim você encontra a chance de mudar o rumo da sua temporada de Fantasy.
No fim das contas, o jogo é sobre upside. Jogadores seguros completam o elenco, mas os campeonatos são conquistados por quem acerta as apostas ousadas. A minha lista de QBs, RBs, WRs e TEs reflete exatamente isso: um mix de talento, volume e oportunidade. Agora, a decisão é sua.