O que restou dos nossos times, das nossas certezas e das escolhas que pareciam tão boas em agosto.
Em agosto, todos os times de fantasy eram bons. Alguns eram excelentes. Bastava perguntar aos seus donos.
Havia o manager que saíra do draft convencido de ter encontrado um running back para carregar o time inteiro. Aquele que apostara em um quarterback mais barato e prometia cobrar dos amigos quando ele explodisse. E, claro, o sujeito que jurava não ter nenhuma fraqueza no elenco, embora ainda faltassem dezessete semanas para descobrir se estava certo.
Oito rodadas depois, boa parte desses times já não existe. Pelo menos não como foram imaginados.
Alguns ficaram melhores. Outros sobreviveram a duras penas. E há aqueles que continuam disputando a liga graças a jogadores que seus managers sequer pensavam em contratar.
A temporada não perguntou se alguém estava preparado.
A tranquilidade também pontua
Jaxon Smith-Njigba chegou à oitava semana com 220 pontos PPR. Foram 64 recepções, 985 jardas e nove touchdowns. A temporada do wide receiver de Seattle já tinha proporções históricas.[1]
Jahmyr Gibbs, por sua vez, acumulou 195,8 pontos em sete partidas. Não deixou de atingir o critério de consistência do Awake em nenhuma delas.
Curioso como o sucesso pode ser pouco interessante depois de algum tempo. O manager coloca Gibbs na escalação, escala Smith-Njigba, fecha a página e vai se preocupar com o terceiro wide receiver.
Os dois continuaram pontuando enquanto o resto da liga discutia quem estava prestes a perder espaço, quem seria o próximo grande nome do waiver e qual treinador finalmente havia percebido que seu reserva merecia mais oportunidades.
Talvez seja um privilégio que não recebe a devida atenção: poder passar uma semana inteira sem pensar em um dos seus titulares.
O time que acabava de perder seu melhor jogador
De’Von Achane não teve a oportunidade de construir essa tranquilidade.
Depois de uma temporada de 1.350 jardas terrestres em 2025, ele começou 2026 longe da produção que seus managers esperavam. Foram 10,6 pontos na estreia, 12,3 na segunda semana e 1,7 na terceira.
Na partida contra Kansas City, rompeu o ligamento cruzado anterior. Resultado: fora da temporada.[2]
Não houve tempo para esperar uma recuperação da produção. Nem para decidir se o começo ruim era apenas uma fase.
A partir dali, alguns managers precisaram procurar outro running back. Ollie Gordon II tornou-se uma alternativa interessante em Miami, com 18 pontos na W4 e 17,3 na W7, mas seu desempenho também oscilou.
É uma das pequenas crueldades do fantasy: às vezes, passamos semanas estudando um jogador, escolhemos o momento de investir nele e perdemos a possibilidade de descobrir se estávamos certos.
E ainda precisamos encontrar alguém para escalar no domingo seguinte.
A incrível capacidade de mudar de opinião sem admitir
Drake Maye produziu 27,6 pontos de fantasy nas três primeiras rodadas somadas. Um começo difícil de defender, especialmente para quem havia apostado nele como quarterback titular.
Nas cinco semanas seguintes, foram 141,4 pontos.
A recuperação incluiu uma sequência de cinco partidas com pelo menos três touchdowns totais, marca que não era alcançada por um quarterback dos Patriots desde Tom Brady, em 2007.[3]
Imagino que alguns managers tenham comemorado a recuperação com especial entusiasmo. Principalmente aqueles que, depois da terceira rodada, já estavam procurando outro quarterback.
Não há contradição alguma em mudar de opinião diante de novas evidências. O problema é que o fantasy nos obriga a fazer isso publicamente, diante de onze adversários que guardam prints e raramente perdem a oportunidade de utilizá-los.
Maye não tornou irracional a preocupação de setembro. Apenas mostrou que ela não precisava durar até novembro.
É fácil enxergar a recuperação quando já sabemos que ela aconteceu. Mais difícil era manter o jogador na escalação quando a recuperação ainda não tinha começado.
Os pontos que chegam quando querem
Ja’Marr Chase produziu 3,2 pontos na estreia e 5,7 na quarta rodada. Na oitava, entregou 31,1.
Não foi uma temporada sem motivos para reclamar. Também não foi uma temporada em que reclamar ajudasse muito.
Chase continuou sendo o tipo de jogador que seus managers dificilmente encontrariam justificativa para deixar no banco. E isso não significa que todas as semanas tenham sido agradáveis.
Enquanto isso, outras grandes pontuações apareceram em lugares menos previsíveis. Tetairoa McMillan marcou 45,2 pontos na quarta rodada. Tony Pollard fez 36,5 na sétima e 28,7 na oitava.
Algumas explosões estavam nos elencos certos. Outras, nos bancos errados.
É particularmente desagradável descobrir que seu time teria vencido se você tivesse confiado no jogador em quem, até então, não havia grandes motivos para confiar.
O retrospecto da escalação perfeita é sempre impressionante. Infelizmente, ela só costuma ficar pronta depois que os jogos terminam.
O que ainda pertence a agosto?
Nem todo mundo passou essas oito semanas fazendo grandes mudanças.
Houve managers que encontraram estabilidade em Trey McBride, Kyren Williams ou Christian McCaffrey. Outros precisaram acompanhar relatórios de lesão, negociar reservas e descobrir novas formas de vencer com um elenco diferente daquele que haviam planejado.
Uns acertaram cedo e tiveram paciência. Outros acertaram tarde e precisaram de alguma sorte. Também houve quem tomasse boas decisões e perdesse mesmo assim.
O fantasy não distribui recompensas de acordo com a qualidade dos argumentos.
Agora chegamos à metade inicial da temporada com algumas certezas novas e outras que já começam a envelhecer. O que parecia indispensável em agosto pode ter perdido importância. Um jogador esquecido no draft pode ser titular. E há aqueles que continuamos escalando sem muita convicção, talvez porque a alternativa seja ainda menos animadora.
Os playoffs estão mais próximos. Ninguém ganhou uma liga em oito semanas, mas alguns já descobriram quanto trabalho será necessário para continuar disputando a sua.
Olhando para o elenco que temos hoje, vale fazer uma pergunta.
Quanto dele ainda é resultado do draft — e quanto existe porque fomos obrigados a mudar de ideia?
Fontes e referências
Dados estatísticos
- Sleeper — estatísticas e pontuação fantasy PPR.
- Awake — métricas de consistência.
Noticiário
- Seattle Seahawks — Jaxon Smith-Njigba Produces Another 100-Plus Yard Performance in Week 8. Novembro de 2026.
- NFL.com — Dolphins RB De’Von Achane to miss rest of season after tearing ACL. Setembro de 2026.
- New England Patriots — Game Observations: 8 takeaways from the Patriots comeback win over the Dolphins in Week 8. Novembro de 2026.